Ela saiu para a noite morna, limpa e serena.
O céu, cravejado de estrelas brilhantes, convidava à contemplação.
Milhões de pontos de luz, talvez a iluminar e a aquecer milhões de mundos.
Imaginou lugares onde a vida acabava de nascer.
Formas simples, frágeis, ainda sem consciência do milagre que eram.
Noutros, a vida já se teria calado há muito, restando apenas o pó das memórias.
E nalguns poucos, pensou, haveria seres que olham o céu e perguntam:
Estaremos sozinhos neste cosmos imenso?
Com esse pensamento, sorriu, e voltou para dentro.
Lá em cima, na varanda de um outro mundo, eu olhava as mesmas estrelas.
Imaginava que alguém lá em cima partilhava as mesmas dúvidas e desejos.
Depois, recolhi-me também.
Peguei em papel e caneta e fui escrever.
