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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

POEMAS - 005 - LUA

A Lua e o Sol não se dão bem.
Raramente partilham o mesmo céu. 
O que os terá separado?
Esse é um grande mistério.

Outro mistério é o monstro que come a Lua.
Vai comendo, pouco a pouco, até deixar só uma frágil casca de luz.
Depois, para de comer.
Talvez esteja saciado ou talvez, por sabedoria, não queira acabar com ela.
Ela regenera-se, volta a ser grande, redonda, luzidia e o ciclo recomeça.

No céu há muitos mistérios, mas também muitos padrões.
Parece que tudo obedece a regras antigas e precisas.
Um dia, seremos capazes de compreender essas regras.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

POEMAS - 004 - INSPIRAÇÃO

Vejo linhas errantes e obscuras.
Linhas retas e curvas movem-se em busca de uma forma.
Fecho os olhos para as ver melhor.
Lá estão elas… Uma, mais fina, fechou-se e formou uma circunferência.
Ali ao lado, dois segmentos de reta chamaram outro, e os três criaram um triângulo escaleno.
Um vasto grupo de linhas paralelas cruzou-se com outro semelhante e plantaram losangos no plano.
Fecho mais os olhos e surgem outras formas, que se vão combinando de modo harmonioso.
O quadrado espreita atrás do círculo e o retângulo vai-se entendendo com a elipse.
Depois vêm as sombras e as cores.
Tudo ganha profundidade e vida.
É tempo de abrir os olhos e de me sentar ao estirador.
Tenho muito que desenhar.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

POEMAS - OO3 - LÁ EM CIMA...

Ela saiu para a noite morna, limpa e serena.

O céu, cravejado de estrelas brilhantes, convidava à contemplação.
Milhões de pontos de luz, talvez a iluminar e a aquecer milhões de mundos.

Imaginou lugares onde a vida acabava de nascer.

Formas simples, frágeis, ainda sem consciência do milagre que eram.
Noutros, a vida já se teria calado há muito, restando apenas o pó das memórias.
E nalguns poucos, pensou, haveria seres que olham o céu e perguntam:

Estaremos sozinhos neste cosmos imenso?

Com esse pensamento, sorriu, e voltou para dentro.
Lá em cima, na varanda de um outro mundo, eu olhava as mesmas estrelas.
Imaginava que alguém lá em cima partilhava as mesmas dúvidas e desejos.
Depois, recolhi-me também.

Peguei em papel e caneta e fui escrever.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

POEMAS - 002 - MEMÓRIAS DENSAS

Quando te recordo,

não me lembro de ti.

Não te vejo.


O teu rosto esfuma-se

na neblina da memória.

Que bloqueio é este

que não me deixa matar saudades

numa imagem mental?


Talvez seja uma defesa da alma

que me incentiva a correr para ti.

E eu corro…

corro, corro como um louco…


Quem sabe?

Talvez te encontre.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

POEMAS - 001 - PÔR DO SOL

Gosto do sol e gosto da cidade.

Gosto de ver o pôr do sol.

A cidade vai mudando de cor.

Primeiro os tons dourados,

depois vem o cinzento sombrio,

mas é por pouco tempo.


A cidade que desfalece, quase morre,

ilumina-se de repente.


Morre o dia e nasce a noite.

A noite é aquilo que deve ser.

Navios fantasma navegam de bar em bar.

Nascem amores, eclodem ciúmes.

Por ruas escuras escorre a solidão

amarga e cruel na letra de um fado.


Mais tarde ou mais cedo, a lua que reina,

rende-se à madrugada.

Primeiro os tons dourados,

depois vem o sol...

Gosto do sol e gosto da cidade...